Tenho 54 anos e o meu estilo pessoal enfrentou mudanças que não escolhi. Foi um processo de reconstrução sem perder a identidade.
A verdade é que não estava minimamente preparada para isto. E, olhando à minha volta, não creio que a minha geração estivesse. Nunca ninguém nos falou verdadeiramente sobre estas questões. Para mim, menopausa significava o fim da menstruação, da fertilidade, algum aumento de peso e calores. Mais nada. Era um tema quase interdito. Silencioso. Como se fosse o início do fim. As nossas mães sabiam pouco, e o pouco que sabiam muitas vezes não era partilhado. A informação era escassa, fragmentada e muitas vezes desatualizada. Como tenho uma curiosidade natural e um pensamento muito orientado para o conhecimento, quando começaram os primeiros calores fui procurar respostas. Li, investiguei, ouvi podcasts de especialistas, mergulhei no tema. E percebi algo desconcertante: há várias gerações de médicos que também sabem pouco sobre a menopausa. Porque não lhes foi ensinado de forma consistente. Porque durante décadas este tema foi tratado de forma marginal. Na realidade, consultei médicos que me disseram literalmente para aguentar, que era da idade e que nada havia a fazer. Se pararem de ler aqui, já valeu a pena porque vos digo já: eles estão profundamente errados. Há muito a fazer, a começar, inevitavelmente, por mudar mentalidades e o desconhecimento científico. Acontece que, numa sociedade historicamente centrada nas necessidades masculinas, o bem-estar feminino foi frequentemente deixado para segundo plano. Ou pior, negligenciado. Crescemos com a ideia de que ser mulher implica suportar, adaptar, aguentar. Em silêncio e bem comportadas. Hoje sei que comecei a ter sintomas de perimenopausa a partir dos quarenta e poucos anos. A menopausa propriamente dita chegou apenas este ano, aos 54. E onde é que o estilo entra aqui? Em tudo. A menopausa não altera apenas o corpo. Introduz uma reorganização profunda na forma como nos percebemos, nos apresentamos e nos relacionamos com a nossa imagem. O estilo pessoal é impactado em três níveis: físico, emocional e identitário. Ignorar esta interligação leva a soluções superficiais que não fazem a reconexão entre o que sentimos, o que somos e o que projetamos e, consequentemente, como comunicamos.
Dos muitos sintomas associados à menopausa e pós-menopausa, são mais de 100, estes foram os que senti e que tiveram impacto direto no meu estilo: Unhas quebradiças e maior queda de cabelo. • Começou nos quarenta. Na altura associei a défices nutricionais. Estava errada. Tomei suplementos sem resultado. Durante anos, ninguém me explicou que poderia ser hormonal. • Como contornei: simplifiquei. Manicure discreta, tons nude, e deixei de fazer alisamentos no cabelo. • Estratégia de ouro: quando não gostamos particularmente de uma zona do corpo, o mais eficaz não é esconder, é neutralizar e redirecionar o foco. Tentar desesperadamente esconder pode criar desarmonia externa e interna. Pele extremamente sensível e com tendência para rosácea. • A partir dos cinquenta, a maioria dos produtos passou a provocar desconforto. • Como lidei: reduzi ao essencial. Produtos adequados, proteção solar elevada diária, mínima exposição solar direta e tratamentos específicos como luz intensa pulsada. • Na maquilhagem, que sempre foi muito natural, simplifiquei drasticamente: BB cream para pele sensível, corretor pontual e base apenas em situações muito específicas. Calores repentinos e suores intensos. • Esta foi, sem dúvida, uma das experiências mais desestabilizadoras. Episódios de suor intenso que afetavam diretamente a minha confiança, sobretudo em contexto profissional. À noite, o impacto no sono foi significativo. • Como ajustei: dei prioridade a tecidos respiráveis, modelagens que não aderem ao corpo e estratégias funcionais. Em contexto de exposição pública, uso uma camada interior de algodão para absorção e proteção, cores mais escuras ou padrões, e frequentemente uma terceira peça como estrutura visual e funcional. • Do ponto de vista médico, após um processo longo de ajuste, quase um ano, a terapia hormonal estabilizou estes sintomas. Dores articulares. • Provavelmente o impacto mais duro. Mãos, joelhos e pés. Houve momentos em que a dor era incapacitante. Cheguei a considerar a possibilidade de uma doença autoimune, que ainda está em avaliação. Durante mais de um ano deixei de conseguir fazer exercício. Foi impossível fazer as minhas caminhadas diárias. Houve uma perda simbólica importante: tive de abdicar dos saltos altos, um elemento identitário desde os 18 anos. • Como resolvi: reestruturei completamente o meu calçado. Saltos médios ou baixos, foco absoluto no conforto técnico, palmilhas adaptadas e acompanhamento especializado. Isto obrigou a reajustar bainhas, proporções e até a lógica de algumas peças no guarda-roupa. • A terapia hormonal e a suplementação ajudaram, sempre com acompanhamento médico. Peso e composição corporal. • Não tive alterações drásticas, visto exatamente a mesma roupa, mas a gestão tornou-se mais exigente. O corpo responde de forma diferente, o que implica maior consciência alimentar. Névoa mental, memória e concentração. • Isto tem impacto na autoconfiança. O estilo começa dentro, e quando há instabilidade interna, inevitavelmente há reflexo externo. No meio de tudo isto, deste tsunami de sintomas, houve momentos em que não me sentia eu. Não era uma questão de atualizar o guarda-roupa ou mudar de estilo. Era um reajuste, sem me anular ou descaracterizar. Digo-vos que é libertador perceber que não nos definimos por detalhes como o salto alto, as unhas de gel ou as roupas de seda. O estilo não vive de peças isoladas; vive do todo. Vive também da postura, da atitude, dos gestos, das escolhas e do pensamento. Somos uma obra multifacetada, um puzzle vivo que se vai construindo, com desafios e paciência, peça após peça. A minha essência manteve-se, continuo a querer sentir-me elegante, contemporânea, confortável e autêntica. Mas o caminho teve de ser redesenhado e uma decisão foi clara: não me anular. Nunca negociar a visibilidade. Atualmente, olho para esta fase como um território desafiante de reconstrução, nem sempre linear, mas profundamente revelador. A menopausa obrigou-me a parar, a observar, a questionar detalhes que durante anos foram certos. Trouxe desconforto, sim. Mas também trouxe lucidez. E essa lucidez teve impacto direto na forma como escolho o que visto e, sobretudo, como me posiciono. Para além de expressão, o meu estilo passou a ser também adaptação com propósito e, acima de tudo, respeito pelo meu corpo e pelo momento em que estou. Sempre soube que o estilo não é estático, nem uma fórmula fechada. Mas esta fase obrigou-me a vivê-lo de forma mais consciente, mais exigente e mais fiel à minha realidade. Já sentiram algo similar? Quais foram os vossos maiores desafios de imagem nesta fase? Comentem comigo e vamos conversar.
1 Comment
Quantas de vocês já usaram a famosa “Lei do Menor Esforço” para justificar a vossa rotina matinal (ou a falta dela) na hora de se vestirem? Aquele pensamento rápido e aparentemente inofensivo: “Ah, é só mais um dia.” “Não tenho tempo.” “Não tenho dinheiro.” “Não tenho corpo para isso.” As desculpas são fáceis de encontrar. O problema é que o impacto que têm na vossa autoestima e confiança é silencioso, profundo e cumulativo. Vai-se instalando. Vai-se normalizando. E, sem darem conta, deixam de se identificar com o que veem ao espelho. Neste post prometi desmascarar cinco motivos válidos para não se vestirem bem. Mas a verdade é esta: a resposta é ZERO. Não existem desculpas válidas. Se estão à procura de um atestado de dispensa para continuarem a vestir-se de forma pouco cuidada e desalinhada com quem realmente são, não o vão encontrar aqui. A minha missão, enquanto vossa Consultora de Imagem, é capacitar-vos e isso começa por desmantelar as desculpas mais frequentes que vos impedem de se sentirem espetaculares. Eu sei que a vossa vida é exigente e complexa. É precisamente por isso que quero falar destas frases que oiço todos os dias no meu trabalho. E sim, vou desafiá-las. Porque cuidar do vosso estilo não é um luxo: é uma estratégia de bem-estar, de confiança e de posicionamento no mundo. E não, isto não é mais um discurso motivacional vazio. É a realidade com que me deparo na minha vida profissional e pessoal; é o que ouço de clientes, de amigas, de conhecidas. Aqui estão os motivos que mais ouvi ao longo deste ano, nenhum deles válido, para deixarem o vosso estilo em segundo plano:
Relembro, como já afirmei tantas vezes nos meus posts, que o estilo não é vaidade; é a linguagem silenciosa de quem sabe quem é. O meu trabalho não é vender-vos tendências. É ajudar-vos a alinhar a vossa identidade, a vossa personalidade e o vosso contexto (familiar, profissional e social) para que a vossa imagem seja um megafone da vossa confiança e da vossa mensagem. Todas podemos ser estilosas. O vosso estilo não precisa de ser perfeito. Precisa de ser coerente convosco, com a mulher que são hoje e com a mensagem que querem transmitir. Sem esforço excessivo. Sem disfarces. Sem desculpas. E vocês? Qual destas desculpas já usaram mais vezes? Acrescentariam alguma à lista? Contem-me nos comentários. E, como sempre, estou aqui para vos ajudar a sentirem-se verdadeiramente fabulosas O verdadeiro luxo é vestir quem são e não quem esperam que sejam. Nunca se encolham nem se descaracterizem para caber num molde ou num estilo que não é o vosso. Ser autêntica é um luxo que não deve ser negociável e isso inclui a forma como se apresentam ao mundo. A vossa imagem deve contar a vossa verdade, não uma versão reduzida de quem são. Luxo porquê? Porque a autenticidade é cada vez mais rara e, por isso, valiosa. Não se pode simplesmente comprar, mas sim viver, experienciar e conquistar. É um estado de liberdade e de congruência entre quem são por dentro e o que mostram por fora. Uma elegância que nasce da coerência e não da tentativa de agradar. É o tipo de luxo que não se ostenta, sente-se. Não precisam de parecer mais novas, mais altas ou mais magras, a menos que isso vos faça realmente felizes. A autenticidade é intemporal. Num mundo de cópias e tendências fugazes, onde tantas pessoas vivem vidas e estilos artificiais, moldados por filtros, photoshop e inteligência artificial, ser autêntica tornou-se o verdadeiro luxo: raro, corajoso e profundamente humano. É um investimento em vocês próprias que nunca perde valor. Permitam-se o direito de serem seres em evolução. Não tenham medo de duvidar, de mudar de opinião, de se reinventarem visualmente. Isso não é fraqueza nem inconsistência, é evolução. Faz parte de ser humano e é o motor que impulsiona o estilo pessoal a crescer e a amadurecer. A constante procura pela aprovação dos outros é um fardo desnecessário. Desvanece-se rapidamente, tal como as modas passageiras. As tendências vão e vêm, mas a vossa autenticidade pode e deve permanecer. O vosso valor não é ditado pelos olhares externos, mas pela firmeza de serem quem realmente são. Se não se sentem satisfeitas com o vosso estilo, a falha não está no vosso corpo, nem na aprovação alheia. Está na vossa roupa e nas vossas ações. A confiança vem de dentro, sim, mas a roupa certa é uma poderosa aliada. Atua como um catalisador que vos ajuda a manifestar e a conquistar essa confiança no mundo. Escolham peças que não apenas vos vistam, mas que também celebrem as mulheres incríveis que são. Não se apaguem. Não se encolham. Expandam-se. A vossa autenticidade é preciosa e merece ser vista. Com dedicação e muito estilo, a vossa consultora de imagem, Lila Vasconcelos Antes de um aperto de mão, ou de pronunciarmos uma palavra, as roupas já falaram. E sejamos honestas: falam alto. Sem emitir som, sussurram verdades ou gritam mentiras. Denunciam humor, confiança, cansaço, desleixo, poder, delicadeza, desistência, resignação, atitude. São espelhos que refletem quem somos. Tudo em nós comunica: a forma como uma peça assenta no corpo, a leveza de um tecido, o contraste das cores, o toque das texturas, as linhas que desenham, as formas que definem, o equilíbrio dos volumes. Cada elemento tem a sua linguagem subtil, um código visual que revela mais do que imaginamos. Tudo pode ser interpretado, mesmo quando acreditamos que escolhemos apenas o que estava à mão. E sabem o que é mais fascinante? O que vestimos não afeta apenas a forma como os outros nos percebem. Também muda a forma como nos percebemos a nós próprias. As roupas que escolhemos, consciente ou inconscientemente, contam uma história. E essa história pode diminuir-nos, esconder-nos ou permitir-nos ocupar o espaço que nos pertence. Talvez nunca tenham pensado nisso, mas o nosso look do dia é como aquela pessoa que adora espalhar mexericos: fala mais alto do que as palavras. Ou, no mínimo, pode enviar sinais confusos se não estiver alinhado com a mensagem que queremos transmitir. É senso comum que parte da comunicação é não verbal. Tudo o que uma pessoa vê quando nos encontra comunica: a nossa postura, a forma como caminhamos, o cabelo, a maquilhagem, as expressões faciais e, claro, a roupa. Vestir com intenção não é procurar a perfeição. É alinhar quem somos por dentro com a forma como nos apresentamos ao mundo, tornando a roupa uma ponte entre o interior e o exterior. Só assim a nossa imagem ganha coerência, reforça a nossa essência e nos dá segurança, beleza e confiança. Quantas vezes já se vestiram com a intenção de mostrar às pessoas que eram poderosas, confiáveis, acessíveis ou credíveis, mas o conjunto que escolheram meio à pressa acabou por contar uma história totalmente diferente? É nesse momento que é hora de agir. Olhem para vocês com novos olhos e escolham com consciência o que querem que a vossa presença diga. As roupas são bisbilhoteiras, sim. Por isso, pergunto:
Dependendo das respostas, talvez seja este o momento de arregaçarem as mangas, reencontrarem a vossa essência e vestirem-se com intenção. Quando o que veem no espelho se alinha com o que sentem por dentro, tudo muda. O vosso brilho aparece, a vossa energia expande-se e o mundo passa a ver aquilo que sempre esteve aí: mulheres fabulosas, seguras e em total sintonia consigo mesmas. Mulheres que merecem existir e serem vistas em toda a sua plenitude. Se precisarem de ajuda, estou à distância de uma mensagem. A íris é uma verdadeira obra de arte da natureza, cada uma de vocês possui um padrão único de linhas, marcas e cores, uma composição cheia de nuances e detalhes que revelam muito mais do que apenas a cor dos olhos. Na consultoria de imagem, a análise da íris é uma ferramenta poderosa para compreender a harmonia pessoal, a combinação de tons que realça naturalmente a beleza, o olhar e o equilíbrio do rosto. Este método vai muito além da simples observação da cor dos olhos, analisa-se o contraste, a temperatura e os padrões visíveis, como sardas ou raios, para identificar as cores de cabelo, maquilhagem e roupa que melhor valorizam a vossa individualidade. Ao observar as tonalidades, os contrastes e os desenhos da íris, conseguimos perceber se predominam cores quentes ou frias. Podemos também notar se a aparência é mais uniforme ou se apresenta uma maravilhosa explosão de variações. Estes detalhes tornam-se guias preciosos na escolha dos tons de cabelo, maquilhagem e acessórios que realçam as vossas características naturais e deixam a imagem mais harmoniosa. Já experimentaram escolher a cor do cabelo a partir da vossa íris? Será que os vossos acessórios combinam com as nuances naturais dos vossos olhos? No cabelo, a análise da íris ajuda a perceber se vos favorecem mais os tons frios ou quentes, se a coloração deve ser uniforme ou enriquecida com luz e profundidade. Na maquilhagem, conhecer as cores da íris permite destacar uma delas com tons complementares ou suavizar o olhar para um resultado mais delicado e natural. Até os acessórios próximos do rosto, como brincos, colares ou armações de óculos, beneficiam desta leitura. Escolher metais, pedras e acabamentos que dialogam com a vossa íris contribui para uma imagem mais coesa e luminosa. A leitura da íris é um recurso poderoso para realçar a vossa imagem pessoal. Permite criar uma aparência harmoniosa e equilibrada, quando se procura um visual suave e coerente, ou um efeito de alto impacto, ao realçar contrastes e intensificar a presença. Paralelamente, reforça a comunicação através da cor, tornando a imagem mais expressiva e alinhada com quem são. A análise da íris revela que a beleza já existe em cada uma de vós, basta observá-la, compreendê-la e traduzi-la com coerência na forma como se apresentam ao mundo. Este olhar atento e personalizado torna a consultoria de imagem mais autêntica, harmoniosa e profundamente alinhada com a vossa essência e aquilo que desejam comunicar. E então, já alguma vez repararam na riqueza de cores e padrões que os vossos próprios olhos revelam? Observar a íris é perceber que a beleza está nos detalhes, e que cada escolha de cor que fazemos pode contar uma história sobre quem somos. Descubram, através da minha análise personalizada, como estas nuances podem guiar as vossas escolhas de maquilhagem, cabelo e acessórios, e realçar ainda mais a vossa beleza natural. O estilo não é uma opção! Todas vocês têm um, quer queiram, quer não. Cada detalhe, cada escolha, cada gesto comunica algo, mesmo quando não têm consciência disso. Até aquele look mais “descuidado” ou “sem graça” é um estilo. Não há neutralidade na forma como nos apresentamos ao mundo. Mesmo quando dizemos que vestimos “a primeira coisa que apareceu à frente”, estamos a contar uma história. E essa história fala sobre nós. A verdade é simples: toda a gente tem um estilo, mas nem toda a gente é estilosa. Isto pode até parecer um jogo de palavras, mas há uma distinção clara entre ambos os conceitos. Como consultora de imagem, digo frequentemente às minhas clientes: o estilo é inevitável, mas ser estilosa é uma escolha consciente. Todos os dias, mesmo sem pensar, estamos a comunicar uma imagem. Através da roupa, do cabelo, das cores, dos acessórios, da postura, da forma como caminhamos ou nos sentamos. O estilo é, no fundo, uma expressão visível das nossas escolhas, dos nossos hábitos, dos nossos gostos e, sim, também das nossas inseguranças e da nossa autoestima. Mas ser estilosa vai muito além disso. Ser estilosa é ter intenção. É haver coerência entre quem somos e aquilo que mostramos. É ter carisma, seja na simplicidade ou na exuberância. Não se trata de seguir tendências, nem de encher o armário com peças caras. Trata-se de autoconhecimento: vestir aquilo que faz sentido para o nosso corpo, a nossa rotina, os nossos gostos, a fase de vida em que estamos e, sobretudo, os nossos valores. Uma mulher estilosa não se esconde atrás da roupa, usa-a para se revelar. Vivemos numa era de excesso. Confundimos estilo com quantidade. Achamos que precisamos de mais… mais peças, mais cor, mais impacto, mais moda, mais caro. Mas o verdadeiro estilo não está no “mais”. Está na capacidade de escolher bem: o que nos favorece, o que nos representa, o que nos faz sentir bem, bonitas, confiantes e alinhadas connosco mesmas. É precisamente aqui que entra o meu trabalho. Ajudar cada mulher a descobrir o seu estilo autêntico e a transformá-lo numa imagem com propósito, presença e poder. Porque, no fim de contas, qualquer pessoa pode vestir-se. Mas ser estilosa? Isso é uma arte. E sim, está ao alcance de todas. Seja qual for a vossa abordagem, lembrem-se: o vosso estilo é uma forma de comunicação e de expressão da vossa individualidade. Logo, é importante garantir que ele transmita não apenas o que querem que os outros entendam, mas também o que desejam sentir. E deixem-me dizer-vos algo de forma muito clara:
Vão mesmo desperdiçar este superpoder? Agora pergunto: estão felizes com o vosso estilo? Se a resposta for “não”, o que vos impede de mudar isso? Vocês merecem sentir-se fabulosas todos os dias. Se precisarem de ajuda, saibam que estou aqui para orientar, para inspirar e para caminhar convosco neste processo de reencontro com a vossa imagem mais verdadeira. Quantas vezes, ao longo da vida, colocamos tudo e todos à frente de nós? Os filhos, o trabalho, a casa, os compromissos, as mil e uma tarefas do dia a dia… E, sem darmos por isso, vamos ficando para segundo plano. Todos os dias, fazemos escolhas, e muitas delas envolvem colocar os outros à frente das nossas próprias necessidades. Na busca constante por cuidar e servir, muitas vezes esquecemo-nos de cuidar de nós mesmas. A vida vai-nos levando, e vamos acumulando papéis: mães, profissionais, filhas, companheiras, amigas. E, para muitas de nós, soma-se ainda o papel exigente de cuidadoras dos nossos pais, um trabalho invisível e emocionalmente desgastante, tão ou mais exigente do que cuidar de crianças. Esse desgaste, muitas vezes, faz com que nos sintamos exaustas, desanimadas, desconectadas de quem realmente somos. E, lentamente, a nossa essência vai sendo deixada para trás. No meio de tanto dar, esquecemo-nos de receber. Esquecemo-nos de cuidar de quem mais precisa de nós: nós mesmas. É fundamental que, em algum momento, nos permitamos parar e refletir sobre isso. Quantas vezes, ao longo dos anos, deixamos de lado os nossos desejos, os nossos sonhos, as nossas paixões, as nossas necessidades, porque estávamos sempre a olhar para fora de nós? Ao longo do tempo, a nossa energia vai se esgotando, e o espaço para o nosso autocuidado vai diminuindo. O que precisamos entender é que não podemos dar o melhor de nós mesmas, se não nos colocarmos primeiro. "Esqueci-me de mim? Nunca!" deve ser o nosso mantra. E não, não se trata de egoísmo. Trata-se de amor-próprio. De autorrespeito. De força e de sabedoria. De reconhecer que cuidar de nós mesmas não é um luxo, é uma necessidade vital. Quando decidimos colocar-nos no centro da nossa vida, abrimos espaço para a transformação, para o reequilíbrio, para o reencontro com a nossa verdadeira essência. Como consultora de imagem, vejo todos os dias mulheres incríveis que redescobrem a sua essência ao cuidarem da forma como se apresentam ao mundo. A imagem, muitas vezes, é vista apenas como um reflexo superficial do que somos. No entanto, a forma como nos apresentamos ao mundo não é apenas uma questão estética, é um reflexo direto do que sentimos por dentro. A nossa imagem é um espelho do que acreditamos merecer, do quanto nos respeitamos e do quanto nos amamos. E isso tem um impacto profundo na forma como nos sentimos e como os outros nos percebem. Somos um todo, alma, mente e corpo, e todas estas dimensões merecem atenção, carinho e equilíbrio. Cuidar da nossa imagem é, antes de tudo, um ato de autovalorizarão. Quando escolhemos dar atenção à nossa aparência, estamos a enviar uma mensagem ao nosso subconsciente: “Eu mereço. Eu importo. Eu sou prioridade.” A imagem não é superficial, é apenas o ponto de partida. Ela serve como uma ponte entre o que somos por dentro e o que mostramos ao mundo. Quando nos sentimos bem com a nossa imagem, isso se traduz numa postura mais confiante, numa energia mais positiva e numa presença mais forte. Ao cuidarmos de nós, não estamos apenas a mudar a nossa aparência, estamos a transformar a forma como nos sentimos, como nos relacionamos e como vivemos. Quando nos escolhemos, quando decidimos ser prioridade, tudo à nossa volta se transforma: a forma como nos movemos, a energia que transmitimos, a confiança que emanamos. Quando começamos a dar mais atenção a nós mesmas, algo mágico acontece. A nossa energia muda. Passamos a mover-nos com mais leveza, a comunicar com mais confiança, a irradiar uma força que vem de dentro. A postura corporal, os gestos, o olhar, tudo começa a refletir a transformação interna. Aos 40, 50, 60… não é tarde. É agora. A sociedade muitas vezes impõe uma narrativa de que a juventude é a melhor fase da vida. Mas a verdade é que nunca é tarde para nos reinventarmos. Aos 40, 50, 60… temos uma bagagem de vida rica em experiências, sabedoria e resiliência. Esta fase da vida é uma oportunidade única de nos reconetarmos com o que realmente importa. De nos olharmos ao espelho com um novo olhar, mais maduro, mais autêntico, mais em sintonia com o nosso verdadeiro ser. De mulher para mulheres, digo-vos que por aqui vamos sempre valorizar quem somos, com tudo o que a vida nos ensinou e com tudo o que ainda queremos conquistar. Vamos reaprender a olhar para nós com carinho, com respeito, com admiração. Vamos deixar de lado a culpa de cuidar de nós mesmas e vamos nos lembrar, todos os dias, que também temos lugar na nossa própria agenda. Porque merecemos. Sempre. O que é que nos impede de escolhermos a nós mesmas? O medo de sermos vistas como egoístas? A crença de que não merecemos? Se conseguimos ser fortes e resilientes por todos os outros, por que não o seremos por nós? Este é o meu convite: que se coloquem em primeiro lugar, sem culpas e sem remorsos. A vossa imagem profissional deve transmitir profissionalismo, mas também deve refletir a vossa verdade. A coerência entre a vossa imagem e quem realmente são é o que vos distingue de todas as outras pessoas. Essa é a vossa impressão digital visual, o vosso superpoder. Sejam únicas! Não se tornem clones.
Deixem-me contar-vos os episódios que me levaram a escrever este texto. Há algum tempo, inscrevi-me numa mini formação online. Estava bem estruturada, clara, pedagógica, e a professora que há em mim reconheceu logo tanto o valor do conteúdo como da forma. Gostei tanto que decidi seguir a formadora no Instagram. Mas, para minha surpresa, não a reconheci de imediato. Quando vi as imagens dos seus posts promocionais, pensei que fosse uma irmã ou uma sócia. Nos vídeos da formação, ela surgia simples e natural. Mas, na estratégia de marketing, na hora de vender, parecia outra pessoa, quase irreconhecível. E pior: igual a tantas outras. Um clone visual. Atenção! Não tenho nada contra sessões fotográficas profissionais. Pelo contrário, qualidade na imagem é essencial. O problema surge quando essa imagem não reflete a realidade, quando a autenticidade dá lugar a um molde imposto. Quando vejo esse tipo de post, causa-me estranheza ver toda a gente de blazer e de braços cruzados porque, sim, essa pose passa autoridade, mas também cria distanciamento. Note-se que também não tenho nada contra blazers, se realmente fazem parte do vosso dia a dia. Se os usam em reuniões, em eventos, nos momentos de lazer, se fazem parte do vosso estilo pessoal. Mas, se os vestem apenas para a fotografia, estão a criar uma personagem. Noutra situação, assisti a uma palestra onde a oradora tinha uma identidade visual bem definida, um estilo retro e feminino, presente em vários dos seus conteúdos nas redes sociais. Mas, quando fez uma sessão fotográfica profissional para o Instagram, perdeu parte dessa identidade. E lá estava o blazer eternizado na imagem. Um blazer que nunca a vi usar, nem mesmo quando falou na televisão ou na rádio. Fiz scroll pela sua página, quase sempre coerente em termos de estilo, e não há vestígios dessa peça nos seus looks. Bom, pelo menos, não cruzou os braços para a foto! Sabem o que mais me choca nestes casos? Primeiro, é a perda de personalidade visual. Depois, é perceber que a produção toda só acontece com o intuito de vender. Quando chega a hora de prestar o serviço, essa mesma pessoa já não se preocupa em manter a coerência na sua imagem. Acontece que os clientes não estão na fotografia, estão a ver os vídeos, estão no atendimento cara a cara, na interação real. Quando a imagem colocada nas estratégias de marketing não bate certo com a realidade, parte da confiança quebra-se e a autoridade profissional dilui-se. Por que razão permitem que vos transformem em algo que não são? Sim, a pose de braços cruzados transmite autoridade, confiança e segurança. Mas também pode sugerir distanciamento e frieza. Tornou-se um cliché repetitivo que, em muitos casos, quebra a proximidade e dificulta a comunicação. Fica o exercício: desafio-vos a olharem bem para os outdoors onde estão agentes imobiliários! Quantos estão de braços cruzados? Se o vosso objetivo é atrair clientes, sugiro que a vossa imagem reflita profissionalismo aliado a proximidade e confiança. Não precisam de usar blazer para parecer profissionais. Não precisam de vestir vermelho para transmitir poder. Não precisam de cruzar os braços para exibir confiança. Precisam, sim, de ser coerentes, autênticas e de construir uma imagem que seja vossa, não um molde imposto pelo marketing previsível. O vosso superpoder está na identidade, na autenticidade, no que vos torna únicas. Arranjadas e profissionais, sempre! Clones sem identidade, nunca! Se sentirem dificuldades na conceção dessa imagem, comecem por embarcar numa viagem de autoconhecimento, numa aprendizagem de como expressar quem são através do vosso estilo pessoal, e só depois eternalizem o vosso brilho e verdade com fotografias profissionais e de alta qualidade. Nota final: Adoro blazers e adoro vermelho! Já alguma vez se sentiram desconfortáveis por estarem bem vestidas? Aquela sensação subtil de que, de repente, o vosso estilo se tornou um problema para os outros? Comentários como "Onde é que vais assim?", "Tanta produção para quê?" ou "Vais para uma festa e ninguém te avisou?" podem parecer inofensivos, mas carregam um tom passivo-agressivo que não deve ser ignorado.
A verdade é que a forma como nos apresentamos ao mundo é um reflexo de quem somos e de como nos sentimos. E, por vezes, essa confiança, traduzida em roupa que nos faz sentir bonitas, cabelo arranjado e postura segura, pode despertar desconforto em quem ainda não encontrou essa segurança em si mesmo. É como se, de repente, o brilho de uma mulher que está bem consigo mesma se tornasse um espelho que reflete as inseguranças alheias. Mas, minhas queridas, esses comentários dizem muito mais sobre quem os faz do que sobre vocês. Se se sentem bem, se a vossa imagem é um reflexo do vosso interior e se estão alinhadas com a ocasião (porque, claro, cada contexto “necessita” de alguma adequação), então porque haveriam vocês de se diminuir para caber nas expectativas dos outros? A nossa imagem é uma forma de comunicação poderosa. Ela fala, transmitindo a nossa identidade, a nossa força e a nossa essência. Comunica aquilo que consideramos ser o nosso valor. Quando nos vestimos com intencionalidade, quando escolhemos peças que nos fazem sentir confiantes e alinhadas com quem somos, estamos a fortalecer a nossa autoestima. E isso, por si só, já é uma forma de resistência contra padrões impostos e expectativas externas. A verdade é que quem está em paz consigo mesmo nunca se sente ameaçado pelo brilho dos outros. Quantas vezes nós, mulheres, fomos ensinadas a minimizar-nos para não parecermos "demasiado"? Demasiado vaidosas, demasiado confiantes, demasiado vistosas, demasiado diferentes? Chegou o momento de ressignificar essa ideia. Se o vosso estilo chama a atenção, que seja porque exala segurança e nunca porque aparenta resignação e desistência. Portanto, se alguma vez se sentiram julgadas ou questionadas por estarem arranjadas, lembrem-se disto: a vossa confiança pode incomodar, mas isso não é um problema vosso. Continuem a expressar a vossa personalidade através do estilo e a brilhar sem pedir permissão. Porque quando nos vestimos para nós mesmas, respeitando quem somos e como queremos sentir-nos, não há opinião alheia que nos possa apagar. Sorriam, ergam a cabeça e continuem a ser fabulosas! Na minha prática atual de consultoria de imagem a análise do biótipo corporal vai muito além de simplesmente identificar silhuetas. É um processo abrangente que requer uma compreensão profunda da individualidade corporal, aliada aos objetivos e personalidade de cada mulher.
Para tal, é essencial considerar as proporções e os volumes do corpo e o modo como as diferentes partes se relacionam entre si. Paralelamente, é fundamental levar em conta as especificidades adicionais de cada corpo, como curvas mais suaves ou ângulos mais definidos, a textura da pele, tipo de cabelo, eventuais marcas e sinais, varizes, celulite, postura, assimetrias, entre outros fatores. Esta abordagem tridimensional permite não apenas identificar a melhor estratégia para valorizar os pontos fortes, tendo em vista a confiança corporal, mas possibilita também a construção de uma imagem autentica que reflete a essência e a individualidade de cada cliente. E sabem uma coisa? A noção de pontos fortes corporais é subjetiva! Se algumas mulheres desejam parecer mais altas, outras querem parecer mais baixas, se uma gosta do seu rabiote arrebitado, outra quer disfarçar essa caraterística, se uma adora o sinal que tem no ombro, outra não gosta de um sinal que tem no pescoço… Nesse sentido, quando faço menção a uma análise tridimensional, não me refiro apenas às vertentes físicas, mas também ao modo como cada cliente se sente no seu corpo, na relação que tem com a sua própria imagem refletida no espelho, como se move no mundo e a influencia que isso tem nas escolhas que faz quando opta por uma peça em detrimento de outra. Não somos apenas corpos, somos seres complexos, com papeis a desempenhar, sonhos, objetivos, crenças, inseguranças, medos, gostos e tantos outros fatores que nos moldam. É essa pluralidade que deve ser considerada ao trabalhar a imagem pessoal, o estilo e a confiança corporal. Por tudo isto, sempre que lerem um artigo sobre este assunto, lembrem-se de que um estilo fabuloso é sempre rico em nuances e complexidades, não pode ser reduzido a uma só dimensão! |
Reflexões sobre Estilo
|

Feed RSS